Tenho observado uma pessoa que podia ser uma personagem de um romance. Se alguém o escrevesse, podia, muito bem, dar-lhe o título "O homem de silêncio". A personagem existe, é real, é um homem dos seus 50 anos, engenheiro. É uma daquelas personagens que habitam o quotidiano de toda a gente. O homem é um poço de silêncio. Não o vejo a falar com ninguém, e quando fala, quase não se entende. Já o vi a ouvir música, jazz, muito suave. Habitualmente, faz refeições de comida vegetariana. O ato parece um bailado. E vejo-o, às vezes, com o tempo bom, a deslocar-se de bicicleta. Habita na sombra, de onde uma luz ínfima o destaca, para ser a personagem de "O homem de silêncio".