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Uma entrevista de Miguel Esteves Cardoso

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Li a entrevista de Miguel Esteves Cardoso publicada hoje no Público a propósito do lançamento do seu último livro "Como escrever". 

Retive isto:

“Podemos dizer ‘quero lá saber’, mas somos 100% dependentes da opinião dos outros”
Entre não fazer uma coisa e fazer uma coisa, a diferença é enorme. Dar o primeiro passo é a diferença entre não cantar e cantar, que é muito maior do que cantar um minuto ou cantar dois minutos. A diferença entre 1050 e 1051 é pequena. Parece que é uma unidade, mas passar do 0 para o 1 é grande. Começar a nadar, começar a correr, começar a... Começar. Passar de não fazer para fazer. Não interessa se mal, se bem. Começaste. Toda a resistência está no começar. Porque as pessoas sabem: começo, mas vou largar, mais vale não começar. É o acto de preguiça e de resistência."


E isto:

"E como os filósofos. Não ficam à espera. Têm de escolher um trabalho manual, repetitivo, chato, para poderem pensar. Wittgenstein e muitos filósofos dizem que é essencial ter um trabalho entediante e mecânico para a cabeça ficar naquele vazio e aquilo escorrer para o vago."


Comentários

  1. Gosto do rapaz. E porquê? Porque o amor é fodido e quem diz o contrário é tolo.
    Adoro o raciocínio do trocadilho. Daí repetir, a finalizar, que o amor é fodido.

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  2. Jorge,

    Assino por baixoo que MEC escreveu. Por isso quando vejo blogues novos costumo estimular a pessoa a escrever nas outrossim a adquirir uma certa disciplina de escrita.
    Não há outra forma de estar neste mundo das palavras.
    Disse alguém que escrever é um acto de grande solidão. Mas sinceramente só o será até uma pessoa ler o texto.
    Tu sabes que nusto da escrita sou demasiado trabalhador.
    Parabéns pelo destaque!

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