Avançar para o conteúdo principal

E se...

E se fosse hoje, arriscaria. Continuar criança, continuaria.


Desafiada, aceitaria. Ter-te de novo, tentaria.


Voltar a ser vossa mãe, engravidaria.


Fugir da zona de conforto, fugiria. Brincar, brincaria.


Ser eu, seria. Escrever, escreveria. Gritar, gritaria.


Para te trazer, arriscaria. Ser feliz, seria.crever, 


Sair do quadrado, sairia. Apanhar chuva, apanharia.


Saltar de paraquedas, saltaria. Tentar, tentaria.


Amar, amaria.


Não fazer nada, faria. Escutar, escutaria. Recomeçar, recomeçaria.


Arrancar gargalhadas, arrancaria. Abraçar, abraçaria.


Dizer não, diria. Contrariar, contrariaria. Ir sem medo, iria.


Rezar, rezaria. Aceitar, aceitaria. Perdoar, perdoaria.


Julgar, não julgaria. Cobrar, não cobraria. Excluir, não excluiria.


Exterminar, não exterminaria. Ignorar, não ignoraria.


Deixar de viver, não deixaria. Acreditar, não desacreditaria.


E se eu decidisse o final da história. O pano levantaria, os aplausos se escutariam, a música se


ouviria, a vida aconteceria, a alegria contagiaria, a liberdade sobreviveria, as pessoas


celebrariam, o amor se replicaria.


E se pudesse validar esta versão. Escrever a melodia para a canção.


E se me deixassem, quão feliz eu seria, de poder oferecer ao mundo esta magia, reaprender a viver


para de novo tudo acontecer.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Mais de dois meses sem fumar

Estou há mais de dois meses sem fumar.  Lembrei-me disso agora, que estou há muito tempo a fazer horas sentado num café. Antes, se entrava num café, pouco me demorava.  Quase sempre procurava uma esplanada, coberta ou não, dependendo do tempo que fizesse. Agora, é indescritível a sensação que tenho de poder estar tranquilamente num local sem ter que pensar no tabaco. É claro que penso, mas nada que me domine. Dois meses sem fumar ainda é pouco tempo para deixar de pensar. Mas, com dois meses sem fumar, o pensamento e a vontade já não são muitas.

Os miosótis dos meus olhos a crescerem

Vou passar todo o meu tempo a escrever-te um poema. E quando te deitares comigo a teu lado sobre o limbo da noite acordada para veres os miosótis dos meus olhos a crescerem, como dizes, para o alvorecer dos teus sonhos perfeitamente incrédulos e cheios de esperança ainda de algum sentido que torne provável a irreal exatidão da vida que em vão tento trazer para o meu poema, perfeitamente irreal, e eu sussurro-te então ao ouvido palavras sem nexo nem sentido para provar isso mesmo em que tu, como sei, não acreditas, eu torno a voltar ao princípio para encontrar o rumo viável das palavras.