Sentado no sofá, olho por entre os quadrados da porta de vidro o céu encavalitado no monte. À varanda, observo a paisagem: as casas, a relva onde, às vezes, existe um cavalo, as árvores, a estrada, em baixo, onde os carros passam continuamente, destinos variados.O mundo existe e existo eu. Perante o espectáculo deslumbrante da natureza, o ego recua e reduzimos-nos à dimensão insignificante da nossa estatura. Deixamos de pensar. Não queremos mais saber quem somos. Todas as questões reduzem-se a sentir o que os olhos vêem. Teremos que desejar ainda mais alguma coisa? Teremos que acreditar que haverá ainda mais alguma coisa para além daquilo que queremos e desejamos? Saberemos o que queremos? Ou tudo não passará de uma paisagem que nos entra pelos olhos dentro para nos deixar quietos e harmonizados com a natureza do que somos? Podíamos limitarmo-nos a ser "apenas" como o vento, o sol e a chuva. Ser. Não desejar mais que o azul do céu. Criar aí as nossas raízes e crescer como uma...